A Autonomia dos Açores precisa de confiança! – Dr. João Bosco Mota Amaral

A Autonomia dos Açores, conquistada pelo Povo Açoriano a partir do processo de democratização desencadeado em Portugal com a Revolução do 25 de Abril, tem por objectivo garantir que o nosso Arquipélago se governa a si próprio, através de órgãos políticos escolhidos em eleições livres e justas.

Já levamos  44 anos de experiência da nova Autonomia político-administrativa, o que significa que a maioria da população das nossas ilhas nasceu já nesta era. Vivemos em Liberdade e Democracia, a qualidade de vida dos Açorianos melhorou muito, mas há sinais inquietantes, que obrigam a reflectir, com os olhos postos no futuro.

Não se pode ignorar a enorme abstenção verificada nas eleições mais recentes na nossa Região Autónoma. É óbvio que os Açorianos, sobretudo os mais jovens, não estão satisfeitos! E as razões explicativas dessa insatisfação são de todos conhecidas e nem vale a pena enunciá-las aqui uma por uma.

Para entusiasmar os Açorianos com a Autonomia dos Açores temos de voltar a dar-lhes motivos de confiança nas nossas instituições de governo próprio,  Assembleia Legislativa e Governo Regional. As eleições a realizar antes do fim do ano permitem-nos fazer escolhas e, naturalmente, mudar!

O exercício do Poder cansa, os seus titulares e mais ainda o Povo! São precisas novas propostas e gente nova, com novas energias, capaz de as levar por diante.

O desenvolvimento dos Açores deve ser aberto às novas gerações, que nestes anos se defrontam com falta de empregos e situações de injusta precariedade. Muitos estão como que exilados fora das nossas ilhas, onde gostariam de viver e dar também o contributo correspondente à preparação adquirida, em estudos ou na vida prática.

A questão demográfica é essencial! O despovoamento de algumas ilhas é gritante e o envelhecimento da população exige respostas adequadas, que não aparecem. Temos escolas boas, mas o abandono escolar continua a debilitar a sociedade açoriana. Os índices de pobreza são chocantes.

Os Açores têm condições e oportunidades de progresso que não têm sido aproveitadas. Há um novo programa de ajudas europeias, para enfrentar as consequências da pandemia, que não pode ser desperdiçado.

O segredo do sucesso da Autonomia reside na proximidade do Poder ao Povo. Há neste ponto muito para afinar, voltando ao dinamismo dos tempos fundacionais da nossa Autonomia.

 

João Bosco Mota Amaral

Presidente do Primeiro Governo da Região Autónoma dos Açores